
Clube Veneno
Dossiê Jair Bolsonaro: seus crimes e desonestidades

TSE autorizou o país a chamar o clã pelo nome: 'família miliciana'
Josias de Souza
Colunista do UOL
01/10/2026 07h41
Nossa Senhora Aparecida escreve certo por linhas tortas. O plenário do TSE decidiu manter a remoção de postagens que atribuem a Flávio Bolsonaro o plano de retirar da santa o título de padroeira do Brasil. Mas o tribunal forçou o relator André Mendonça a recuar da censura.
Emendando o próprio voto, Mendonça liberou o post que deu origem à polêmica. Nele, o humorista Antonio Tabet publicou uma imagem da padroeira com a seguinte legenda: "A família miliciana odeia tanto mulher preta que decidiu atacar Nossa Senhora Aparecida!".
Com a meia-volta de Mendonça, a postagem de Tabet foi ressuscitada por unanimidade. Ficou decidido que serão apagadas apenas publicações que atribuam a Flávio Bolsonaro o que ele não disse. Mas decidiu-se também que é proibido estender a proibição a postagens que nem citam o nome do candidato. Ou que mencionem a hipótese de uma perseguição futura dos Bolsonaro ao título da padroeira.
A caligrafia de Nossa Senhora desentortou a ação da campanha de Flávio Bolsonaro no TSE. O país está liberado para chamar o clã de "família miliciana". Não precisa citar o sobrenome. O primogênito do mito vestiu a carapuça… - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/colunas/josias-de-souza/2026/10/01/tse-autorizou-o-pais-a-chamar-o-cla-pelo-nome-familia-miliciana.htm
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Data da postagem: 01/10/2026, 09:52

Bozo: "Pintou um clima"
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Data da postagem: 01/10/2026, 10:24

Pegando um gancho com o artigo do Josias de Souza que pus logo atrás… Por que Flávio Bolsonaro vestiu a carapuça de “família miliciana” no caso do post de Tabet? Vejamos informações úteis para entender isso…
Em vídeo de 2007, Flávio Bolsonaro defendeu a legitimidade das milícias:
(Honorato)
Fonte: https://x.com/philliphonorato/status/2104205059894501730
No Roda Viva (ver tuíte do Honorato abaixo do principal), Flávio deu a desculpa de que, em 2007, o termo “milícia” tinha sentido de “firma informal de segurança privada” (ele não falou nessas palavras, mas essa foi a ideia do conceito). É óbvio que isso é uma falácia. Naquela época do Rio de Janeiro de 2007, milícia já tinha sentido de “grupo armado extorsivo que tenta exercer monopólio de controle territorial e oferta de serviços clandestinos”. Ademais, muito anos antes disso, esse termo já era sinônimo de “grupo de extermínio” ou “firma de pistolagem”. O próprio pai dele entendia isso muito bem em declarações de 2003. Copiando e colando um trecho de post meu neste tópico para demonstrar…
Milícias também são organizações criminosas e grupos terroristas que escravizam populações de determinados territórios. E adivinhem quem tem histórico de envolvimento com milícias e grupos de extermínio? Exatamente.
Em sessão na Câmara dos Deputados, Jair Bolsonaro declarou que o crime de extermínio seria “muito bem-vindo” caso o Estado não adotasse a pena de morte, parabenizando grupos que atuavam na Bahia. No passado, ele também defendeu publicamente a legalização das milícias no Rio de Janeiro, argumentando que elas levariam ordem a áreas onde o Estado era ausente.
Mas não para por aí. O ex-capitão do BOPE Adriano da Nóbrega, apontado como chefe do “Escritório do Crime” (grupo de extermínio), foi homenageado com a Medalha Tiradentes por Flávio Bolsonaro em 2005, enquanto estava preso acusado de homicídio. Jair Bolsonaro também o elogiou publicamente na tribuna da Câmara na época. Além disso, parentes de milicianos, como a mãe e a esposa de Adriano da Nóbrega, foram empregadas no gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
(fim da autocitação)
Tem outro caso investigado, mas acho que esse é só coincidência:

Em vídeo de 2007, Flávio Bolsonaro defendeu a legitimidade das milícias:
É esse o candidato que vai combater as facções e as milícias?
(vídeo)
(…)
(Honorato)
Fonte: https://x.com/philliphonorato/status/2104205059894501730
No Roda Viva (ver tuíte do Honorato abaixo do principal), Flávio deu a desculpa de que, em 2007, o termo “milícia” tinha sentido de “firma informal de segurança privada” (ele não falou nessas palavras, mas essa foi a ideia do conceito). É óbvio que isso é uma falácia. Naquela época do Rio de Janeiro de 2007, milícia já tinha sentido de “grupo armado extorsivo que tenta exercer monopólio de controle territorial e oferta de serviços clandestinos”. Ademais, muito anos antes disso, esse termo já era sinônimo de “grupo de extermínio” ou “firma de pistolagem”. O próprio pai dele entendia isso muito bem em declarações de 2003. Copiando e colando um trecho de post meu neste tópico para demonstrar…
Milícias também são organizações criminosas e grupos terroristas que escravizam populações de determinados territórios. E adivinhem quem tem histórico de envolvimento com milícias e grupos de extermínio? Exatamente.
Em sessão na Câmara dos Deputados, Jair Bolsonaro declarou que o crime de extermínio seria “muito bem-vindo” caso o Estado não adotasse a pena de morte, parabenizando grupos que atuavam na Bahia. No passado, ele também defendeu publicamente a legalização das milícias no Rio de Janeiro, argumentando que elas levariam ordem a áreas onde o Estado era ausente.
Mas não para por aí. O ex-capitão do BOPE Adriano da Nóbrega, apontado como chefe do “Escritório do Crime” (grupo de extermínio), foi homenageado com a Medalha Tiradentes por Flávio Bolsonaro em 2005, enquanto estava preso acusado de homicídio. Jair Bolsonaro também o elogiou publicamente na tribuna da Câmara na época. Além disso, parentes de milicianos, como a mãe e a esposa de Adriano da Nóbrega, foram empregadas no gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
(fim da autocitação)
Tem outro caso investigado, mas acho que esse é só coincidência:

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Data da postagem: 01/10/2026, 14:54
Leonardo Sakamoto, Reinaldo Azevedo, Daniela Lima, UOL é o o esgoto do jornalismo.
Em contrapartida o Spotniks tá num nível absurdo de qualidade:
Em contrapartida o Spotniks tá num nível absurdo de qualidade:
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Data da postagem: 01/10/2026, 19:22
HuxleyTem outro caso investigado, mas acho que esse é só coincidência:
Isso mostra o tipo de desonestidade da mídia.
É muito preocupante que o Estadão enquanto jornal, publique fatos fora de contexto sobre um candidato à presidência as vésperas da eleição.
Puro anacronismo do qual um jornal desse porte não pode se fazer de inocente ao recorrer a esse expediente intelectualmente desonesto.
Chiquinho Brazão era deputado estadual na época, em 2023 não se sabia do seu envolvimento no caso Marielle.
A famosa delação de Roni Lessa, que expôs as entranhas do caso e a participação da família Brazão na milícia, só veio em 2024. Até 2023 só existiam suspeitas, especialmente contra Domingos, de envolvimento político com a milícia, não evidências de participação nela nem qualquer condenação por isso.
As afirmações do editorial são:
"Vínculo tão próximo".
"Com um miliciano"
"Condenado pelo assassinato de Marielle".
Os fatos:
Foi um contato por meio de assessores, não um "vínculo próximo".
Foi com um parlamentar do União Brasil, não com um miliciano.
O contato foi em 2023 e só se soube da participação dele com milícias em 2024.
Não foi com um condenado pelo STF no caso Marielle. Ele só foi condenado em 2026, portanto quando ocorreu o contato ele não era condenado por nada.
O jornal diz: "É preocupante que um candidato a presidência tenha mantido vínculo tão próximo a um condenado pelo STF pela morte de Marielle".
Isso é mentira e difamação.
Flávio não manteve contato próximo e não manteve contato com ninguém condenado por nada, a não ser para quem avalia a situação de forma anacrônica, achando que Flavio Bolsonaro deveria ser A MÃE DINA e conseguir PREVER O FUTURO.
O contato foi por meio de assessoria com um parlamentar que não era acusado de nada, muito menos condenado de qualquer coisa pelo STF.
Sugerir o oposto é MENTIR.

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Data da postagem: 02/10/2026, 16:44

NadaSeiHuxleyTem outro caso investigado, mas acho que esse é só coincidência:
Isso mostra o tipo de desonestidade da mídia.
É muito preocupante que o Estadão enquanto jornal, publique fatos fora de contexto sobre um candidato à presidência as vésperas da eleição.
Puro anacronismo do qual um jornal desse porte não pode se fazer de inocente ao recorrer a esse expediente intelectualmente desonesto.
Chiquinho Brazão era deputado estadual na época, em 2023 não se sabia do seu envolvimento no caso Marielle.
A famosa delação de Roni Lessa, que expôs as entranhas do caso e a participação da família Brazão na milícia, só veio em 2024. Até 2023 só existiam suspeitas, especialmente contra Domingos, de envolvimento político com a milícia, não evidências de participação nela nem qualquer condenação por isso.
As afirmações do editorial são:
"Vínculo tão próximo".
"Com um miliciano"
"Condenado pelo assassinato de Marielle".
Os fatos:
Foi um contato por meio de assessores, não um "vínculo próximo".
Foi com um parlamentar do União Brasil, não com um miliciano.
O contato foi em 2023 e só se soube da participação dele com milícias em 2024.
Não foi com um condenado pelo STF no caso Marielle. Ele só foi condenado em 2026, portanto quando ocorreu o contato ele não era condenado por nada.
O jornal diz: "É preocupante que um candidato a presidência tenha mantido vínculo tão próximo a um condenado pelo STF pela morte de Marielle".
Isso é mentira e difamação.
Flávio não manteve contato próximo e não manteve contato com ninguém condenado por nada, a não ser para quem avalia a situação de forma anacrônica, achando que Flavio Bolsonaro deveria ser A MÃE DINA e conseguir PREVER O FUTURO.
O contato foi por meio de assessoria com um parlamentar que não era acusado de nada, muito menos condenado de qualquer coisa pelo STF.
Sugerir o oposto é MENTIR.
“Peixe só se tornou miliciano depois”
Confunde descoberta/condenação com existência anterior da atividade criminosa.
“Foi contato com um parlamentar do União Brasil”
Confunde Chiquinho Brazão com Robson Calixto; quem pediu a emenda foi Peixe.
“Foi apenas contato por meio de assessores”
Minimiza uma interação de cinco meses, com iniciativa e atuação da assessora (pedido de emenda, várias conversas durante meses, convite para evento do gabinete, orientação para levar Chiquinho para reforçar o pedido, solicitação de ingressos e posterior liberação de quase R$ 200 mil.)
“Flávio não poderia prever o futuro”
Verdade, mas não responde à questão do que seu gabinete sabia sobre Peixe em 2023.
“O Estadão diz que Flávio sabia que ele era condenado”
Não é isso que a ideia de “vínculo tão próximo com um miliciano condenado” necessariamente afirma.
Além disso…
Não há como apresentar Peixe como um completo desconhecido em 2023. Robson Calixto não surgiu do nada no caso Marielle em 2024.
Já existiam registros policiais anteriores. O relatório da Polícia Federal reproduz denúncias encaminhadas ao Disque-Denúncia em maio e junho de 2018, nas quais Robson era apontado como “Peixe”, como responsável pela arrecadação de valores cobrados pela milícia na Taquara e como segurança pessoal de Domingos Brazão. Uma dessas denúncias dizia que ele estaria armado e recolheria os valores nos dias 15 e 30 de cada mês.
E existe algo ainda mais relevante: em setembro de 2022, antes da negociação da emenda de 2023, o GAECO/MPRJ já havia produzido informação sobre Robson, apontando-o como contato frequente de Marcus Vinicius Reis dos Santos, o “Fininho”, identificado nas investigações como uma das principais lideranças da milícia de Rio das Pedras. A PF registra inclusive contato entre os dois em março de 2018.
Portanto, não é correto transformar a situação em “em 2023 ninguém sabia de absolutamente nada e, magicamente, em 2024 descobriram que Peixe era miliciano”.
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Data da postagem: 02/10/2026, 19:21
Huxley“Peixe só se tornou miliciano depois”Não coloque palavras na minha boca, porque eu não disse isso.
Disse sim que na época ninguém era obrigado a saber disso. A ligação existir, não pressupõe que ela fosse conhecida por todos.
HuxleyNão, não confundi. É você quem está tentando misturar participação em atividade criminosa descoberta DEPOIS, com conhecimento prévio disso.
Confunde descoberta/condenação com existência anterior da atividade criminosa.
Meu argumento nesse sentido foi CRISTALINO ao dizer que o editorial do Estadão exige que Flávio tenha poderes mediúnicos como os atribuídos a mãe Dina.
HuxleyNão confundi nada.
“Foi contato com um parlamentar do União Brasil”
Confunde Chiquinho Brazão com Robson Calixto; quem pediu a emenda foi Peixe.
O Editorial diz que o Peixe era somente assessor de Domingos, o contato se deu inicialmente entre os dois assessores, Peixe representava os interesses dos irmãos Brazão (Domingos e Chiquinho), ele era assessor de Domingos, mas quando ocorreu um encontro presencial foi entre Flavio e Chiquinho.
O Editorial menciona que a assessora de Flavio perguntou ao Peixe: "O deputado Brazão, vc ainda tá com ele?"
Foi nesse momento que existiu o contato entre Flávio e algum deles, porque antes disse o "contato" se limitava a mensagens trocadas entre assessores.
Sim o pedido por emenda foi feito pelo Peixe, aqui eu posso até estar errado, mas enquanto assessor Peixe não me parece ter pedido a emenda para si e sim para Chiquinho que era o único parlamentar nessa historia.
HuxleyEu não estou minimizando, mas chamar isso de manter "contato próximo" como fez o Editorial é pura forçação de barra.
“Foi apenas contato por meio de assessores”
Minimiza uma interação de cinco meses, com iniciativa e atuação da assessora (pedido de emenda, várias conversas durante meses, convite para evento do gabinete, orientação para levar Chiquinho para reforçar o pedido, solicitação de ingressos e posterior liberação de quase R$ 200 mil.)
Os caras não tinham intimidade se quer para trocar mensagens diretamente.
Só naquele mandato Flavio teve 59 milhões de reais em emendas para indicar, esses 200 mil representam míseros 0.34% desse valor.
HuxleyNão responde, mas também não permite concluir que ele sabia de algo como faz parecer o editorial do Estadão.
“Flávio não poderia prever o futuro”
Verdade, mas não responde à questão do que seu gabinete sabia sobre Peixe em 2023.
O que Flávio sabia de fato, ou poderia saber, ninguém tem como saber.
O fato que permanece é que em 2023 Peixe era assessor de um conselheiro do Tribunal de contas do Rio e tratava de assuntos dele e de seu irmão que era deputado federal.
O Estado fazia negocio com essas pessoas, o Tribunal de contas tinha um como conselheiro e o outro era Deputado Federal. Mas por alguma razão, Flávio deveria saber mais do que essas instituições e era obrigado a manter distancia deles.
HuxleyIsso é o que da a entender.
“O Estadão diz que Flávio sabia que ele era condenado”
Não é isso que a ideia de “vínculo tão próximo com um miliciano condenado” necessariamente afirma.
Por que a cobrança em relação a um "condenado pelo STF" se na época isso não era verdade? A sugestão é a de que Flavio deveria ter agido ontem com o mesmo tipo de conhecimento que se pode ter hoje.
Puro anacronismo.
HuxleyTodos fatos que hoje você pode saber com facilidade, mas que na época não eram largamente conhecidos como são hoje.
Além disso…
Não há como apresentar Peixe como um completo desconhecido em 2023. Robson Calixto não surgiu do nada no caso Marielle em 2024.
Já existiam registros policiais anteriores. O relatório da Polícia Federal reproduz denúncias encaminhadas ao Disque-Denúncia em maio e junho de 2018, nas quais Robson era apontado como “Peixe”, como responsável pela arrecadação de valores cobrados pela milícia na Taquara e como segurança pessoal de Domingos Brazão. Uma dessas denúncias dizia que ele estaria armado e recolheria os valores nos dias 15 e 30 de cada mês.
E existe algo ainda mais relevante: em setembro de 2022, antes da negociação da emenda de 2023, o GAECO/MPRJ já havia produzido informação sobre Robson, apontando-o como contato frequente de Marcus Vinicius Reis dos Santos, o “Fininho”, identificado nas investigações como uma das principais lideranças da milícia de Rio das Pedras. A PF registra inclusive contato entre os dois em março de 2018.
Ainda não existia a delação de Roni Lessa que fez esses nomes todos serem conhecidos como integrantes de milícia.
Investigações até 2023 colocavam essas pessoas como suspeitas de contato com gente da milicia, mas não se sabia ao certo se quer de que eles próprios faziam de fato parte delas.

Eu não vejo ninguém acusando o Cunha de miliciano ou cobrando a Dilma por ter coligação com milicianos.
Mas quando falamos de alguém com o sobrenome Bolsonaro a régua muda.
HuxleyEu não afirmei que ninguém sabia de absolutamente nada, mas sim que é anacronismo pressupor que sabiam o que se sabe hoje.
Portanto, não é correto transformar a situação em “em 2023 ninguém sabia de absolutamente nada e, magicamente, em 2024 descobriram que Peixe era miliciano”.
Como dito, o próprio Estado brasileira achava que Domingos estava apto a ser conselheiro do Tribunal de contas do Rio e Chiquinho deputado federal.
Qualquer um que tenha feito coligação ou qualquer tipo de acordo com o deputado Chiquinho, deveria ter mantido distancia e saber que ele era um miliciano?
Essa parece ser a sugestão absurda do editorial do Estadão.
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Data da postagem: 03/10/2026, 00:36

"Vou comprar vacina na casa da tua mãe!"
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Data da postagem: 03/10/2026, 10:08

Você está correto em uma coisa: Peixe era assessor de Domingos Brazão, e Chiquinho aparece na conversa. Mas isso não muda o ponto principal nem a cronologia das mensagens.
Quem aparece efetivamente fazendo o pedido de recursos ao gabinete de Flávio é o próprio Peixe. Em 24/10/2023 ele escreve à assessora: “Amiga vê com o nosso Senador se consegue nos ajudar”. Ela responde pedindo uma solicitação por e-mail ou ofício, e Peixe envia o documento. Dois dias depois é que ela pergunta: “O deputado Brazão, vc ainda tá com ele?”. Peixe responde “positivo”, e ela sugere um evento no qual ele poderia “reforçar o pedido com o senador”. A própria PF interpretou esse evento como uma oportunidade para que o pedido fosse reforçado pessoalmente com Flávio.
Então há uma diferença importante entre dizer que Peixe estava ligado aos Brazão e dizer que Chiquinho foi quem pediu a emenda. As mensagens documentadas sustentam a primeira afirmação, mas mostram Peixe como o interlocutor que fez diretamente o pedido ao gabinete.
E tem outro problema na sua frase: Chiquinho não era “o único parlamentar nessa história”. Flávio também era parlamentar — senador — e foi justamente Flávio quem destinou a emenda. Chiquinho aparece na conversa como a pessoa que Peixe ainda acompanhava e que a assessora queria levar ao evento; ele não aparece nas mensagens como o autor do pedido da emenda.
Então eu não estou confundindo Chiquinho com Peixe. Pelo contrário: estou justamente distinguindo os dois. Peixe = interlocutor que solicita a verba ao gabinete de Flávio; Chiquinho = deputado Brazão mencionado posteriormente na conversa; Flávio = senador cujo gabinete recebe o pedido e cuja emenda é efetivamente destinada.
Se você tiver a mensagem ou trecho do relatório da PF que demonstre que Peixe estava fazendo aquele pedido especificamente em nome de Chiquinho, aí essa seria outra questão. Mas isso não é o que a sequência das mensagens, por si só, demonstra.
Mas aí você está misturando duas coisas diferentes.
Eu não disse que R$ 200 mil representavam uma parcela relevante do total de emendas do Flávio. O ponto é outro: o tamanho relativo da verba não diz nada sobre a natureza ou a duração da relação entre a assessora e o Peixe. R$ 200 mil podem ser 0,34% do orçamento de emendas e, ainda assim, ter havido uma negociação específica e prolongada para conseguir aquele dinheiro.
E chamar isso simplesmente de “não havia contato próximo porque eles não tinham intimidade para trocar mensagens diretamente” também não resolve. Quem está em contato não é o Flávio pessoalmente, mas a assessora do gabinete dele com o Peixe. E justamente esse contato está documentado por vários meses.
Em outubro de 2023, Peixe pede que ela veja com “nosso Senador” se consegue ajudar, ela pede que formalize por e-mail ou ofício e ele envia a solicitação. Depois ela pergunta se ele ainda está com o “deputado Brazão” e o orienta a levar Chiquinho a um evento para “reforçar o pedido com o senador”. Em novembro, ele volta a cobrar que Flávio não esqueça o projeto. Em março de 2024, continua cobrando a destinação. E, no meio disso, em janeiro, a própria assessora pede quatro ingressos para o camarote da Sapucaí ao Peixe.
Então eu concordo com você em uma coisa: isso não prova, por si só, que Flávio e Peixe tinham intimidade pessoal. Aliás, eu nem afirmei isso. O que os documentos demonstram é outra coisa: havia uma relação funcional continuada entre Peixe e uma assessora do gabinete de Flávio, envolvendo negociação de emenda, cobrança de andamento, tentativa de contato pessoal com o senador e posteriormente pedido de ingressos.
É justamente por isso que eu acho inadequado reduzir tudo a “eles nem trocavam mensagens diretamente”. O fato de a intermediação ser feita por uma assessora não elimina a existência do contato; a assessora era justamente a representante do gabinete nas tratativas.
E sobre os R$ 59 milhões: se a sua tese é que R$ 200 mil eram pouco diante do total disponível, tudo bem. Mas isso só responde à pergunta “qual era o tamanho da verba?”. Não responde à pergunta “houve ou não uma interação prolongada para obter aquele recurso?”. São questões diferentes.
Mas aí acho que você está criando um espantalho do argumento do Editorial.
Eu não estou dizendo que Flávio necessariamente sabia quem era Peixe, nem que estava obrigado a “manter distância” dos Brazão. Também concordo que não dá para afirmar, sem prova, o que Flávio pessoalmente sabia em 2023. Essa parte precisa permanecer como questão em aberto.
O ponto é outro: “não podemos provar o que Flávio sabia” não significa “não havia nenhuma razão para o gabinete saber ou perceber quem era o interlocutor”.
Peixe não era apenas “um assessor de um conselheiro do TCE”. Ele era assessor pessoal de Domingos Brazão e já exercia esse papel havia anos. Mais importante: a própria PF posteriormente descreveu Peixe como uma figura com uma rede de contatos bastante ampla e o apontou como intermediador de contatos dos Brazão com outros agentes. Em 2024, por exemplo, a PF encontrou conversas dele com o então chefe de gabinete da Secretaria de Segurança do RJ e destacou justamente o alcance dessa rede de contatos.
E existe uma diferença fundamental entre o seu exemplo do “Estado” ou do TCE e o caso do gabinete de Flávio: no caso de Flávio existe uma interação documentada diretamente com Peixe para conseguir dinheiro público. Não estamos falando simplesmente de “Flávio conhecia um político que tinha um assessor”.
O Peixe procurou a assessora de Flávio, pediu que “nosso Senador” ajudasse, recebeu instrução para formalizar a solicitação, enviou o ofício, voltou a cobrar a liberação e foi orientado pela própria assessora a levar Chiquinho a um evento para reforçar o pedido com o senador. A negociação, portanto, não foi uma relação distante entre instituições; houve uma interlocução funcional concreta entre o gabinete e Peixe.
Agora, se o Editorial dá um salto maior e transforma isso em “Flávio sabia que Peixe era ligado à milícia”, aí eu concordaria com você que seria necessário apresentar a evidência específica dessa afirmação. Uma coisa é documentar o contato; outra é provar o conhecimento subjetivo de Flávio sobre a ficha de Peixe.
Mas isso também vale para o seu argumento: o fato de Domingos ser conselheiro do TCE e Chiquinho deputado não prova que Flávio desconhecia quem era Peixe. São duas coisas que precisam ser investigadas separadamente.
Então eu colocaria assim:
O que está documentado: Peixe era assessor de Domingos, procurou diretamente o gabinete de Flávio para obter recursos, manteve tratativas com a assessora durante meses e a verba foi posteriormente destinada.
O que não está demonstrado apenas por essas mensagens: que Flávio pessoalmente soubesse da suposta ligação de Peixe com a milícia ou que tivesse conhecimento de qualquer finalidade ilícita.
A primeira afirmação é factual. A segunda exige prova adicional. O erro é usar a ausência da segunda prova para apagar a primeira.
Existe uma diferença importante entre:
Portanto, chamar todo o editorial de “anacrônico” ou “mentiroso” exige demonstrar que o Estadão efetivamente atribuiu a Flávio conhecimento, em 2023, daquilo que só foi revelado posteriormente. O trecho citado não faz isso.
Mas justamente aí está a diferença que você está apagando: eu não disse que em 2023 já era público e comprovado que Peixe era miliciano. Disse que ele não era um completo desconhecido sobre quem não existia nenhuma informação anterior.
Você tem razão em uma coisa: as informações de 2018 e 2022 eram denúncias e elementos de investigação, e não uma sentença dizendo “Robson Calixto é integrante de milícia”. Inclusive, a própria PF em 2024 ainda tratava algumas informações com cautela e reconhecia que havia pessoas cuja participação não tinha sido suficientemente corroborada naquele momento.
Mas daí não segue que “ninguém poderia saber de nada sobre ele em 2023”.
Em 2018 já havia notícias de fato encaminhadas aos órgãos de segurança que apontavam nominalmente Robson Calixto, o “Peixe”, como responsável pela arrecadação de valores da milícia da Taquara e como segurança dos Brazão. Isso não prova, sozinho, que ele fosse miliciano — mas prova que já existia informação oficializada às autoridades sobre essa possível ligação. A própria PGR posteriormente citou esse registro de 18 de junho de 2018.
E em 2022 a situação não era simplesmente “alguém ouviu um boato sobre Peixe”. O MPRJ já tinha uma atuação formal contra a estrutura de Rio das Pedras e havia identificado e prendido Marcus Vinicius Reis dos Santos, o “Fininho”, como liderança da organização criminosa.
Portanto, acho que o argumento correto é:
não sabemos se Flávio sabia que Peixe tinha envolvimento com milícia; mas também não podemos afirmar que essa informação simplesmente não existia ou que Peixe era uma pessoa sem qualquer sinal anterior de ligação com esse meio.
E isso é importante porque estamos discutindo justamente o que era razoável investigar antes de liberar dinheiro público, não tentando aplicar retroativamente o conhecimento adquirido depois da delação de Ronnie Lessa.
Aliás, a delação de Lessa é relevante para explicar por que essas conexões ganharam enorme notoriedade em 2024, mas ela não criou retroativamente os registros de 2018 nem as investigações anteriores. A própria PF e a PGR, depois da delação, recuperaram e deram novo significado a elementos que já existiam.
Então eu concordo com a sua formulação se ela for: “em 2023 não estava comprovado publicamente que Peixe era miliciano.”
O que eu não concordo é transformar isso em: “em 2023 não havia elementos anteriores que pudessem levantar dúvidas sobre quem era Peixe.”
São afirmações bem diferentes.
E ainda tem uma terceira distinção: uma coisa é o que a sociedade em geral sabia; outra é o que órgãos de investigação já tinham registrado; e outra, completamente diferente, é o que Flávio ou sua assessoria efetivamente sabiam. A última continua sendo uma questão factual que precisa de evidência específica — não dá para simplesmente presumir seguramente nem para um lado, nem para o outro.
Acho que você está atribuindo ao Editorial uma conclusão que eu também não defenderia.
Não se trata de dizer que qualquer pessoa que tenha feito acordo com Chiquinho deveria saber que ele era miliciano. Isso seria absurdo. Uma aliança política não significa, automaticamente, que a pessoa conheça todas as suspeitas existentes sobre seu aliado.
Mas o caso de Peixe é diferente, porque não estamos falando apenas de uma relação com Chiquinho.
Em 2023, não existia somente o conhecimento que hoje se tornou público. Já havia registros anteriores, especificamente sobre Robson Calixto. A PGR registra que, em 18 de junho de 2018, chegou aos órgãos de segurança uma denúncia identificando Peixe como responsável pela arrecadação de valores da milícia na Taquara e como segurança de Domingos Brazão. A própria PGR sustenta hoje, com base nos autos, que ele exercia atividades típicas de milícia desde pelo menos 2018.
Isso não prova que Flávio ou sua assessoria conhecessem esse material em 2023. Essa conclusão exigiria uma evidência específica.
Mas também não dá para fazer o raciocínio inverso:
“Flávio não necessariamente sabia” e, portanto, “não havia nada que pudesse ser conhecido sobre Peixe naquele momento”.
São coisas diferentes.
O fato de o Estado ter considerado Domingos apto para o TCE ou Chiquinho apto para exercer um mandato parlamentar também não funciona como uma espécie de certificado de que ninguém poderia ter suspeitas sobre pessoas ligadas a eles.
Instituições podem conviver com pessoas que depois são investigadas, denunciadas ou condenadas. Uma coisa não exclui a outra.
Então eu separaria a discussão em três níveis.
Primeiro: dizer que Peixe era comprovadamente miliciano e que todo mundo sabia disso em 2023 seria anacrônico. Eu não estou afirmando isso.
Segundo: dizer que não havia nenhuma informação anterior sobre possíveis vínculos de Peixe com a milícia também não é correto. Havia registros anteriores, inclusive de 2018, encaminhados a órgãos de segurança.
Terceiro: afirmar que Flávio ou sua assessoria tinham conhecimento desses registros é outra questão. Isso precisa ser demonstrado. Não dá para presumir seguramente nem que sabiam, nem que não sabiam.
Além disso, como o Estadão sugeriu, a probabilidade de Flávio Bolsonaro saber que Peixe era miliciano é um caso de probabilidade condicionada. Essa probabilidade não pode ser analisada como se o episódio de Peixe estivesse isolado de todo o histórico anterior. Ela está condicionada à informação de que Flávio parece ter um “azar muito suspeito” na direção de “apoiar milicianos por acidente”.
Ele não sabia, segundo sua própria versão, que Adriano da Nóbrega viria a ser apontado posteriormente como chefe de uma milícia. Mas, em 2005, decidiu homenageá-lo com a Medalha Tiradentes mesmo sabendo que Adriano estava preso preventivamente sob acusação de homicídio. Posteriormente, a então esposa de Adriano e a mãe dele foram empregadas em seu gabinete, e seus nomes apareceram nas investigações sobre o esquema de “rachadinha”. Em 2007, Flávio também fez declarações defendendo as milícias como uma “nova forma de policiamento” e reduziu os crimes praticados por milicianos a “casos isolados”.
E há ainda o contexto familiar e político. Jair Bolsonaro, pai e influenciador ideológico de Flávio, já havia feito, em discurso na Câmara dos Deputados, uma declaração favorável à atuação de grupos de extermínio na Bahia: “Enquanto o Estado não tiver coragem de adotar a pena de morte, o crime de extermínio, no meu entender, será muito bem-vindo. Se não houver espaço para ele na Bahia, pode ir para o Rio de Janeiro. Se depender de mim, terão todo o apoio”.
Portanto, o argumento não é que Flávio necessariamente soubesse, em cada episódio, de todos os crimes posteriormente atribuídos a essas pessoas. O ponto é outro: quando se conhece retrospectivamente todo esse conjunto de vínculos e declarações, a hipótese de que se tratou simplesmente de uma sucessão de coincidências e desconhecimento absoluto deixa de ser uma hipótese que possa ser tratada de maneira tão despreocupada. E quem faz um gerenciamento eficaz de risco ao votar em candidatos a cargos políticos deve se preocupar não apenas com o “ser honesto”, mas também com o “parecer honesto”.
Não confundi nada.
O Editorial diz que o Peixe era somente assessor de Domingos, o contato se deu inicialmente entre os dois assessores, Peixe representava os interesses dos irmãos Brazão (Domingos e Chiquinho), ele era assessor de Domingos, mas quando ocorreu um encontro presencial foi entre Flavio e Chiquinho.
O Editorial menciona que a assessora de Flavio perguntou ao Peixe: "O deputado Brazão, vc ainda tá com ele?"
Foi nesse momento que existiu o contato entre Flávio e algum deles, porque antes disse o "contato" se limitava a mensagens trocadas entre assessores.
Sim o pedido por emenda foi feito pelo Peixe, aqui eu posso até estar errado, mas enquanto assessor Peixe não me parece ter pedido a emenda para si e sim para Chiquinho que era o único parlamentar nessa historia.
Você está correto em uma coisa: Peixe era assessor de Domingos Brazão, e Chiquinho aparece na conversa. Mas isso não muda o ponto principal nem a cronologia das mensagens.
Quem aparece efetivamente fazendo o pedido de recursos ao gabinete de Flávio é o próprio Peixe. Em 24/10/2023 ele escreve à assessora: “Amiga vê com o nosso Senador se consegue nos ajudar”. Ela responde pedindo uma solicitação por e-mail ou ofício, e Peixe envia o documento. Dois dias depois é que ela pergunta: “O deputado Brazão, vc ainda tá com ele?”. Peixe responde “positivo”, e ela sugere um evento no qual ele poderia “reforçar o pedido com o senador”. A própria PF interpretou esse evento como uma oportunidade para que o pedido fosse reforçado pessoalmente com Flávio.
Então há uma diferença importante entre dizer que Peixe estava ligado aos Brazão e dizer que Chiquinho foi quem pediu a emenda. As mensagens documentadas sustentam a primeira afirmação, mas mostram Peixe como o interlocutor que fez diretamente o pedido ao gabinete.
E tem outro problema na sua frase: Chiquinho não era “o único parlamentar nessa história”. Flávio também era parlamentar — senador — e foi justamente Flávio quem destinou a emenda. Chiquinho aparece na conversa como a pessoa que Peixe ainda acompanhava e que a assessora queria levar ao evento; ele não aparece nas mensagens como o autor do pedido da emenda.
Então eu não estou confundindo Chiquinho com Peixe. Pelo contrário: estou justamente distinguindo os dois. Peixe = interlocutor que solicita a verba ao gabinete de Flávio; Chiquinho = deputado Brazão mencionado posteriormente na conversa; Flávio = senador cujo gabinete recebe o pedido e cuja emenda é efetivamente destinada.
Se você tiver a mensagem ou trecho do relatório da PF que demonstre que Peixe estava fazendo aquele pedido especificamente em nome de Chiquinho, aí essa seria outra questão. Mas isso não é o que a sequência das mensagens, por si só, demonstra.
Eu não estou minimizando, mas chamar isso de manter "contato próximo" como fez o Editorial é pura forçação de barra.
Os caras não tinham intimidade se quer para trocar mensagens diretamente.
Só naquele mandato Flavio teve 59 milhões de reais em emendas para indicar, esses 200 mil representam míseros 0.34% desse valor.
Mas aí você está misturando duas coisas diferentes.
Eu não disse que R$ 200 mil representavam uma parcela relevante do total de emendas do Flávio. O ponto é outro: o tamanho relativo da verba não diz nada sobre a natureza ou a duração da relação entre a assessora e o Peixe. R$ 200 mil podem ser 0,34% do orçamento de emendas e, ainda assim, ter havido uma negociação específica e prolongada para conseguir aquele dinheiro.
E chamar isso simplesmente de “não havia contato próximo porque eles não tinham intimidade para trocar mensagens diretamente” também não resolve. Quem está em contato não é o Flávio pessoalmente, mas a assessora do gabinete dele com o Peixe. E justamente esse contato está documentado por vários meses.
Em outubro de 2023, Peixe pede que ela veja com “nosso Senador” se consegue ajudar, ela pede que formalize por e-mail ou ofício e ele envia a solicitação. Depois ela pergunta se ele ainda está com o “deputado Brazão” e o orienta a levar Chiquinho a um evento para “reforçar o pedido com o senador”. Em novembro, ele volta a cobrar que Flávio não esqueça o projeto. Em março de 2024, continua cobrando a destinação. E, no meio disso, em janeiro, a própria assessora pede quatro ingressos para o camarote da Sapucaí ao Peixe.
Então eu concordo com você em uma coisa: isso não prova, por si só, que Flávio e Peixe tinham intimidade pessoal. Aliás, eu nem afirmei isso. O que os documentos demonstram é outra coisa: havia uma relação funcional continuada entre Peixe e uma assessora do gabinete de Flávio, envolvendo negociação de emenda, cobrança de andamento, tentativa de contato pessoal com o senador e posteriormente pedido de ingressos.
É justamente por isso que eu acho inadequado reduzir tudo a “eles nem trocavam mensagens diretamente”. O fato de a intermediação ser feita por uma assessora não elimina a existência do contato; a assessora era justamente a representante do gabinete nas tratativas.
E sobre os R$ 59 milhões: se a sua tese é que R$ 200 mil eram pouco diante do total disponível, tudo bem. Mas isso só responde à pergunta “qual era o tamanho da verba?”. Não responde à pergunta “houve ou não uma interação prolongada para obter aquele recurso?”. São questões diferentes.
Não responde, mas também não permite concluir que ele sabia de algo como faz parecer o editorial do Estadão.
O que Flávio sabia de fato, ou poderia saber, ninguém tem como saber.
O fato que permanece é que em 2023 Peixe era assessor de um conselheiro do Tribunal de contas do Rio e tratava de assuntos dele e de seu irmão que era deputado federal.
O Estado fazia negocio com essas pessoas, o Tribunal de contas tinha um como conselheiro e o outro era Deputado Federal. Mas por alguma razão, Flávio deveria saber mais do que essas instituições e era obrigado a manter distancia deles.
Mas aí acho que você está criando um espantalho do argumento do Editorial.
Eu não estou dizendo que Flávio necessariamente sabia quem era Peixe, nem que estava obrigado a “manter distância” dos Brazão. Também concordo que não dá para afirmar, sem prova, o que Flávio pessoalmente sabia em 2023. Essa parte precisa permanecer como questão em aberto.
O ponto é outro: “não podemos provar o que Flávio sabia” não significa “não havia nenhuma razão para o gabinete saber ou perceber quem era o interlocutor”.
Peixe não era apenas “um assessor de um conselheiro do TCE”. Ele era assessor pessoal de Domingos Brazão e já exercia esse papel havia anos. Mais importante: a própria PF posteriormente descreveu Peixe como uma figura com uma rede de contatos bastante ampla e o apontou como intermediador de contatos dos Brazão com outros agentes. Em 2024, por exemplo, a PF encontrou conversas dele com o então chefe de gabinete da Secretaria de Segurança do RJ e destacou justamente o alcance dessa rede de contatos.
E existe uma diferença fundamental entre o seu exemplo do “Estado” ou do TCE e o caso do gabinete de Flávio: no caso de Flávio existe uma interação documentada diretamente com Peixe para conseguir dinheiro público. Não estamos falando simplesmente de “Flávio conhecia um político que tinha um assessor”.
O Peixe procurou a assessora de Flávio, pediu que “nosso Senador” ajudasse, recebeu instrução para formalizar a solicitação, enviou o ofício, voltou a cobrar a liberação e foi orientado pela própria assessora a levar Chiquinho a um evento para reforçar o pedido com o senador. A negociação, portanto, não foi uma relação distante entre instituições; houve uma interlocução funcional concreta entre o gabinete e Peixe.
Agora, se o Editorial dá um salto maior e transforma isso em “Flávio sabia que Peixe era ligado à milícia”, aí eu concordaria com você que seria necessário apresentar a evidência específica dessa afirmação. Uma coisa é documentar o contato; outra é provar o conhecimento subjetivo de Flávio sobre a ficha de Peixe.
Mas isso também vale para o seu argumento: o fato de Domingos ser conselheiro do TCE e Chiquinho deputado não prova que Flávio desconhecia quem era Peixe. São duas coisas que precisam ser investigadas separadamente.
Então eu colocaria assim:
O que está documentado: Peixe era assessor de Domingos, procurou diretamente o gabinete de Flávio para obter recursos, manteve tratativas com a assessora durante meses e a verba foi posteriormente destinada.
O que não está demonstrado apenas por essas mensagens: que Flávio pessoalmente soubesse da suposta ligação de Peixe com a milícia ou que tivesse conhecimento de qualquer finalidade ilícita.
A primeira afirmação é factual. A segunda exige prova adicional. O erro é usar a ausência da segunda prova para apagar a primeira.
Isso é o que da a entender.
Por que a cobrança em relação a um "condenado pelo STF" se na época isso não era verdade? A sugestão é a de que Flavio deveria ter agido ontem com o mesmo tipo de conhecimento que se pode ter hoje.
Puro anacronismo.
Existe uma diferença importante entre:
- “Flávio se relacionou em 2023 com um homem que já era condenado pelo STF” — afirmação cronologicamente falsa;
- “Flávio se relacionou em 2023 com Robson Calixto, que posteriormente foi condenado pelo STF pelo caso Marielle” — afirmação cronologicamente correta.
Portanto, chamar todo o editorial de “anacrônico” ou “mentiroso” exige demonstrar que o Estadão efetivamente atribuiu a Flávio conhecimento, em 2023, daquilo que só foi revelado posteriormente. O trecho citado não faz isso.
Todos fatos que hoje você pode saber com facilidade, mas que na época não eram largamente conhecidos como são hoje.
Ainda não existia a delação de Roni Lessa que fez esses nomes todos serem conhecidos como integrantes de milícia.
Investigações até 2023 colocavam essas pessoas como suspeitas de contato com gente da milicia, mas não se sabia ao certo se quer de que eles próprios faziam de fato parte delas.
Mas justamente aí está a diferença que você está apagando: eu não disse que em 2023 já era público e comprovado que Peixe era miliciano. Disse que ele não era um completo desconhecido sobre quem não existia nenhuma informação anterior.
Você tem razão em uma coisa: as informações de 2018 e 2022 eram denúncias e elementos de investigação, e não uma sentença dizendo “Robson Calixto é integrante de milícia”. Inclusive, a própria PF em 2024 ainda tratava algumas informações com cautela e reconhecia que havia pessoas cuja participação não tinha sido suficientemente corroborada naquele momento.
Mas daí não segue que “ninguém poderia saber de nada sobre ele em 2023”.
Em 2018 já havia notícias de fato encaminhadas aos órgãos de segurança que apontavam nominalmente Robson Calixto, o “Peixe”, como responsável pela arrecadação de valores da milícia da Taquara e como segurança dos Brazão. Isso não prova, sozinho, que ele fosse miliciano — mas prova que já existia informação oficializada às autoridades sobre essa possível ligação. A própria PGR posteriormente citou esse registro de 18 de junho de 2018.
E em 2022 a situação não era simplesmente “alguém ouviu um boato sobre Peixe”. O MPRJ já tinha uma atuação formal contra a estrutura de Rio das Pedras e havia identificado e prendido Marcus Vinicius Reis dos Santos, o “Fininho”, como liderança da organização criminosa.
Portanto, acho que o argumento correto é:
não sabemos se Flávio sabia que Peixe tinha envolvimento com milícia; mas também não podemos afirmar que essa informação simplesmente não existia ou que Peixe era uma pessoa sem qualquer sinal anterior de ligação com esse meio.
E isso é importante porque estamos discutindo justamente o que era razoável investigar antes de liberar dinheiro público, não tentando aplicar retroativamente o conhecimento adquirido depois da delação de Ronnie Lessa.
Aliás, a delação de Lessa é relevante para explicar por que essas conexões ganharam enorme notoriedade em 2024, mas ela não criou retroativamente os registros de 2018 nem as investigações anteriores. A própria PF e a PGR, depois da delação, recuperaram e deram novo significado a elementos que já existiam.
Então eu concordo com a sua formulação se ela for: “em 2023 não estava comprovado publicamente que Peixe era miliciano.”
O que eu não concordo é transformar isso em: “em 2023 não havia elementos anteriores que pudessem levantar dúvidas sobre quem era Peixe.”
São afirmações bem diferentes.
E ainda tem uma terceira distinção: uma coisa é o que a sociedade em geral sabia; outra é o que órgãos de investigação já tinham registrado; e outra, completamente diferente, é o que Flávio ou sua assessoria efetivamente sabiam. A última continua sendo uma questão factual que precisa de evidência específica — não dá para simplesmente presumir seguramente nem para um lado, nem para o outro.
Eu não afirmei que ninguém sabia de absolutamente nada, mas sim que é anacronismo pressupor que sabiam o que se sabe hoje.
Como dito, o próprio Estado brasileira achava que Domingos estava apto a ser conselheiro do Tribunal de contas do Rio e Chiquinho deputado federal.
Qualquer um que tenha feito coligação ou qualquer tipo de acordo com o deputado Chiquinho, deveria ter mantido distancia e saber que ele era um miliciano?
Essa parece ser a sugestão absurda do editorial do Estadão.
Acho que você está atribuindo ao Editorial uma conclusão que eu também não defenderia.
Não se trata de dizer que qualquer pessoa que tenha feito acordo com Chiquinho deveria saber que ele era miliciano. Isso seria absurdo. Uma aliança política não significa, automaticamente, que a pessoa conheça todas as suspeitas existentes sobre seu aliado.
Mas o caso de Peixe é diferente, porque não estamos falando apenas de uma relação com Chiquinho.
Em 2023, não existia somente o conhecimento que hoje se tornou público. Já havia registros anteriores, especificamente sobre Robson Calixto. A PGR registra que, em 18 de junho de 2018, chegou aos órgãos de segurança uma denúncia identificando Peixe como responsável pela arrecadação de valores da milícia na Taquara e como segurança de Domingos Brazão. A própria PGR sustenta hoje, com base nos autos, que ele exercia atividades típicas de milícia desde pelo menos 2018.
Isso não prova que Flávio ou sua assessoria conhecessem esse material em 2023. Essa conclusão exigiria uma evidência específica.
Mas também não dá para fazer o raciocínio inverso:
“Flávio não necessariamente sabia” e, portanto, “não havia nada que pudesse ser conhecido sobre Peixe naquele momento”.
São coisas diferentes.
O fato de o Estado ter considerado Domingos apto para o TCE ou Chiquinho apto para exercer um mandato parlamentar também não funciona como uma espécie de certificado de que ninguém poderia ter suspeitas sobre pessoas ligadas a eles.
Instituições podem conviver com pessoas que depois são investigadas, denunciadas ou condenadas. Uma coisa não exclui a outra.
Então eu separaria a discussão em três níveis.
Primeiro: dizer que Peixe era comprovadamente miliciano e que todo mundo sabia disso em 2023 seria anacrônico. Eu não estou afirmando isso.
Segundo: dizer que não havia nenhuma informação anterior sobre possíveis vínculos de Peixe com a milícia também não é correto. Havia registros anteriores, inclusive de 2018, encaminhados a órgãos de segurança.
Terceiro: afirmar que Flávio ou sua assessoria tinham conhecimento desses registros é outra questão. Isso precisa ser demonstrado. Não dá para presumir seguramente nem que sabiam, nem que não sabiam.
Além disso, como o Estadão sugeriu, a probabilidade de Flávio Bolsonaro saber que Peixe era miliciano é um caso de probabilidade condicionada. Essa probabilidade não pode ser analisada como se o episódio de Peixe estivesse isolado de todo o histórico anterior. Ela está condicionada à informação de que Flávio parece ter um “azar muito suspeito” na direção de “apoiar milicianos por acidente”.
Ele não sabia, segundo sua própria versão, que Adriano da Nóbrega viria a ser apontado posteriormente como chefe de uma milícia. Mas, em 2005, decidiu homenageá-lo com a Medalha Tiradentes mesmo sabendo que Adriano estava preso preventivamente sob acusação de homicídio. Posteriormente, a então esposa de Adriano e a mãe dele foram empregadas em seu gabinete, e seus nomes apareceram nas investigações sobre o esquema de “rachadinha”. Em 2007, Flávio também fez declarações defendendo as milícias como uma “nova forma de policiamento” e reduziu os crimes praticados por milicianos a “casos isolados”.
E há ainda o contexto familiar e político. Jair Bolsonaro, pai e influenciador ideológico de Flávio, já havia feito, em discurso na Câmara dos Deputados, uma declaração favorável à atuação de grupos de extermínio na Bahia: “Enquanto o Estado não tiver coragem de adotar a pena de morte, o crime de extermínio, no meu entender, será muito bem-vindo. Se não houver espaço para ele na Bahia, pode ir para o Rio de Janeiro. Se depender de mim, terão todo o apoio”.
Portanto, o argumento não é que Flávio necessariamente soubesse, em cada episódio, de todos os crimes posteriormente atribuídos a essas pessoas. O ponto é outro: quando se conhece retrospectivamente todo esse conjunto de vínculos e declarações, a hipótese de que se tratou simplesmente de uma sucessão de coincidências e desconhecimento absoluto deixa de ser uma hipótese que possa ser tratada de maneira tão despreocupada. E quem faz um gerenciamento eficaz de risco ao votar em candidatos a cargos políticos deve se preocupar não apenas com o “ser honesto”, mas também com o “parecer honesto”.
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Data da postagem: 03/10/2026, 10:39

Ainda sobre o caso do miliciano Adriano da Nóbrega: em 2005, Flávio Bolsonaro condecorou esse sujeito com a Medalha Tiradentes enquanto ele estava na cadeia. Naquele ano, ele estava preso preventivamente sob uma acusação falsa de homicídio? A resposta é não. E, ainda em 2026, Flávio continuou insistindo na defesa do criminoso no episódio do homicídio de Leandro dos Santos Silva, praticado em 2003. Vejam:
Fonte: https://piaui.uol.com.br/web/o-que-esses-brasileiros-sabem/
(…)
Em momento nenhum dessa trajetória, na qual se acumulam acusações da mais alta criminalidade, Flávio ou Jair deixaram de defender o assassino. “Como é muito comum, um PM, quando está em operação, mata vagabundo, traficante”, declarou o pai-presidente em 2020, referindo-se ao guardador de carros Leandro dos Santos Silva. “[Adriano] estava sendo falsamente acusado de ter cometido homicídio e, na verdade, foi uma troca de tiros com um traficante”, afirmou o filho-candidato em 2026, aos apresentadores do Jornal Nacional.
É falso. De acordo com a investigação, depois de matarem o guardador, os oito policiais – entre eles Adriano – alteraram a cena do crime para forjar um confronto. Como mostrou o UOL, “não há evidências de que Leandro dos Santos Silva fosse um traficante”. Ele era funcionário da CET-Rio, o que não impediu Flávio de, na entrevista citada, chamá-lo de “marginal”. Diante de uma pergunta sobre um matador, preferiu reservar o adjetivo para o trabalhador.
(…)
Fonte: https://piaui.uol.com.br/web/o-que-esses-brasileiros-sabem/
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Data da postagem: 03/10/2026, 13:34