Clube Veneno
Estado laico é incompatível com democracia
Autor: Tutu | Categoria: Laicismo, Política e Economia | Exibições: 6255 Comentários: 26
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Tutu
A "teocracia" brasileira não é democrática.

Se tivesse a opção do povo escolher democraticamente entre isenção de imposto para comida ou igreja, o que o povo escolheria? Se o povo votasse livremente em isentar igreja, esse povo mereceria se ferrar.

Nem tudo é para ser votado. Nem tudo é para ser decidido pela maioria.

O povo elege seus representantes porque, supostamente, eles têm melhores condições de fazer a coisa certa, têm mais conhecimentos.

Se tudo for votado, não é mais democracia, é democratismo.

Eu, por exemplo, reconheço que não tenho a menor capacidade para definir a taxa SELIC ou o valor do salário mínimo.
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Quanto mais vejo as coisas, a conclusão a que chego é que o sistema libertário é o mais livre e justo. Todas as outras formas envolvem fazer o governo impor a opinião de um grupo sobre toda população, gerando conflito. O modelo libertário impõe a opinião de ninguém. Só segue a opinião dos libertários, mas essa opinião não é uma imposição por não exigir nenhuma obrigação ou proibição.

Embora não seja uma boa estratégia para o desenvolvimento (apesar de ser melhor do que o Brasil tem adotado desde 1988), seria o mais adequado, principalmente nos dias de hoje. Naturalmente, o conceito é cheio de ponta soltas, já que muitos libertários de hoje tem tendências ancaps e chegam a negligenciar o meio ambiente (cuja destruição prejudica a saúde e propriedade privada alheia), corporocracia (neofeudalismo) ou neocolonialismo.

Fernando Silva
Nem tudo é para ser votado. Nem tudo é para ser decidido pela maioria.

O povo elege seus representantes porque, supostamente, eles têm melhores condições de fazer a coisa certa, têm mais conhecimentos.

Se tudo for votado, não é mais democracia, é democratismo.

Eu, por exemplo, reconheço que não tenho a menor capacidade para definir a taxa SELIC ou o valor do salário mínimo.

O povo brasileiro não sabe nem eleger deputados e chefe do executivo.

Além disso, a grande maioria dos candidatos nem entendem do assunto.

E a mencionada Selic não é decidida por especialistas e sim pela vontade política dos poderosos.

Acho difícil o povo fazer pior do que os políticos eleitos.

Colocar o povo para votar tudo é inviável logisticamente, mas se fosse possível e colocassem o povo para decidir assuntos como salário mínimo e SELIC, nos primeiros anos o povo faria besteira, mas aprenderia e corrigiria os erros com o passar do tempo.

Desviando muito do assunto, o sistema seria melhor se fosse dividido para ter um governante para cada área. Teria um representante economista eleito só para assuntos econômicos, um policial para segurança pública, um advogado para legislação, um biólogo para meio ambiente, etc. E assuntos críticos, como carga tributária, controlados por referendo.
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André Mendonça, o ministro do Evangelistão defende que evangélicos lutem para que o Estado e as instituições se tornem evangélicas.

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André Mendonça escancara o Evangelistão.

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Acho mais fácil abordar este assunto com as definições seguintes:

Democracia - organização política na qual o poder sobre um Estado é exercido, direta ou indiretamente, pela população submetida ao mesmo.

Laicismo - organização política na qual um Estado não usa de seu poder para promover uma religião, em detrimento de outras ou da ausência de religião.

Ambos os atributos sendo definidos são quantitativos; isto é, um Estado "A" pode ser mais democrático/laico do que "B", mas menos do que "C".

Daí, voltando à alegação do OP: democracia e laicismo não são nem mutuamente exclusivos, nem obrigatoriamente unidos, embora eu pessoalmente considere ambos como altamente desejáveis. Por exemplo:
  • Uma população religiosamente uniforme deseja que sua superstição seja promovida e mantida uniforme. Isto não é laico, mas ainda é democrático.

  • Uma população religiosamente diversa não quer que uma superstição em específico seja promovida, já que sabe que a religião em questão não será a que aquele indivíduo quer. Então, "decidem" coletivamente que o Estado deles não deve promover religião. Isto é tanto laico como democrático.

E há coisas que não são nem democráticas, nem laicas. Como os exemplos que o Fernando postou: essa bancada de protestantes é uma minoria tentando impor a superstição deles ao resto.
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Thomas de Toledo · 27/09/2026
  ·
INTOLERÂNCIA AOS CRENTES INTOLERANTES

Não me venham com essa conversa mole de que tenho preconceito contra crente. Minha régua é simples: ser intolerante com o intolerante. Portanto, para quem é tolerante, tolerância; para quem não é tolerante, olho por olho, dente por dente, já que crentes gostam de leis velhacas e anacrônicas.

O Brasil é um mosaico de religiões de todas as espécies. Mas só tem uma facção religiosa que tem projeto de poder. Só tem uma facção religiosa que tem bancada no Congresso. Só tem uma facção religiosa que foi promovida pela CIA e financiada pela Fundação Ford e outras instituições para descaracterizar a identidade religiosa brasileira.

Portanto, estou falando de quem? Dos evangélicos, vulgarmente conhecidos como crentes, mas que podem ser chamados de crentelhos porque são chatos, para não dizer insuportáveis.

Têm péssimo gosto musical e se vestem de uma forma terrivelmente feia. Suas religiões não têm teologia, não têm liturgia; não têm ritualística, não têm arte sacra: têm apenas um idiota que não fez seminário nem qualquer formação sacerdotal, mas um dia pegou uma caixa, abriu uma "igreja" no fundo do quintal e começou a gritar sílabas aleatórias, dizendo que é língua de anjo inspirada pelo espírito santo.

Veja, não estou falando de protestantes históricos. Estou falando de seitas mercantis que surgiram para promover o emburrecimento da população e formar uma burguesia vendedora de fé enganosa. Também não estou me referindo a uma parcela, infelizmente minoritária, dos pentecostais. Refiro-me mais especificamente aos evangélicos pentecas e, principalmente, aos neopentecas. Aos seguidores das teologias da prosperidade e do domínio.

Atacar as universidades e promover o negacionismo da ciência é fundamental para ter uma população burra e ignorante, que esquece que estamos no século XXI, e não na Idade do Ferro. Estados Unidos e Israel patrocinam esse projeto. Não é um fenômeno espontâneo, como muitos tentam dizer. Tampouco é preconceito contra pobre como alguns pseudo intelectuais têm pregado, até porque os donos dessas igrejas e os frequentadores de camarotes em igrejas de paredes pretas são qualquer coisa, menos pobres.

Por que então temos que ser intolerantes com eles? Ora, pelo simples fato de eles serem intolerantes com todos que não são eles e por que quem não são eles não cabem no projeto de poder deles. Vejam como é o vocabulário odiento deles:

Ateus = atoas
Católicos = idólatras
Espíritas = invocadores de demônios
Orixás = demônios
Santos = ídolos
Mãe de santo = mãe de encosto

"Ayn, mais ção çó palavras." Palavras que se tornam ações quando se acrescentam dois outros conceitos:

1. eles vão pro inferno porque são do demônio; nós vamos pro céu porque somos de deus;
2. nós estamos em guerra espiritual contra eles e precisamos combatê-los.

Tem um agravante. Algumas das seitas evangélicas mais conhecidas dizem que estamos vivendo o Apocalipse e, por isso, dão um sentido de urgência a essa "guerra".

A ideologia bolsonarista tem a mesma base: ódio a tudo o que é genuinamente brasileiro e submissão completa aos Estados Unidos e a Israel. Por isso, fazem parte do mesmo pacote. Temos que entender extrema direita, bolsonarismo e essas seitas extremistas crentes como uma coisa só, com táticas distintas.

Não há convencimento. É preciso uma estratégia séria para esmagar essa ideologia. Veja, estou falando em esmagar a ideologia, e não as pessoas. As pessoas que foram enganadas e que estruturaram suas vidas e relações sociais nesses meios precisam ter alternativas.

Por isso, combater os intolerantes é fundamental agora, com estratégia e ampla aliança entre todos os que são seus alvos. Se não agirmos agora, quando o Brasil se transformar na Gilead de O Conto da Aia, será tarde.

Fonte: Facebook
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Data da postagem: 28/09/2026, 09:22
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O estado laico não é incompatível com a democracia, o problema é a compreensão incorreta que as pessoas na atualidade tem de ambos os conceitos.

As pessoas confundem os modelos constitucionais que criam o Estado de direito, com a democracia em si.

A democracia na verdade não é se quer o oposto da ditadura, ela é na verdade uma das formas de ditadura, no caso, a ditadura da maioria.

Mas vamos a laicismo em si que é o tema do tópico.
O objetivo real do laicismo é proteger a religião do Estado e não o contrário.

O laicismo faz parte das liberdades que o Estado de direito tenta preservar, nesse caso, a liberdade de crença.

O político pode sim tomar medidas com base na bíblia.
Ele pode defender a proibição do aborto porque é cristão e na religião dele isso é errado, tanto quanto o socialista pode defender alguma medida com base nas crenças dele em "O capital" de Karl Marx.

O que o laicismo não permite é que se institua através do Estado uma religião oficial permitida e que se proibam as outras.

Se é de bom gosto ou não, um parlamentar citar a Bíblia ou o Capital, isso é de julgamento pessoal dos eleitores, mas não é uma questão de Estado e não é, nem deveria ser, proibido em nações com governos laicos.

O laicismo não proíbe que parlamentares sejam religiosos ou que façam escolhas com base em sua fé pessoal ou a fundamentem na bíblia. O laicismo só proíbe que esse parlamentar imponha suas crenças pessoais ao resto da população, proibindo as outras religiões.

Mas em teoria o parlamentar umbandista, o budistas ou cristão, todos eles tem o direito de fundamentar suas decisões no que bem entenderem e podem citar seus livros sagrados ou orixás favoritos ao fundamentar seus votos. Nada disso vai contra o laicismo.
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O que você acha da minha resposta @red? O Estado laico não veio para proteger a liberdade religiosa?
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NadaSeiO que você acha da minha resposta @red? O Estado laico não veio para proteger a liberdade religiosa?

Concordo com o núcleo da sua resposta: um Estado laico não deve exigir que parlamentares escondam a própria fé. Uma pessoa pode citar a Bíblia, o Alcorão ou qualquer outra referência ao explicar seu voto; isso, por si só, não viola a laicidade.

Eu só ajustaria duas coisas. Primeiro, a laicidade protege a liberdade religiosa, mas também a liberdade de não ter religião e a igualdade entre crenças. Não é apenas o Estado se abstendo de proibir religiões: é também não usar seu poder para privilegiar ou impor uma delas — inclusive de modo indireto, sem declarar uma religião oficial.

Segundo, há uma diferença entre a motivação religiosa de um parlamentar e a política pública aprovada. A laicidade não exige necessariamente que o parlamentar tenha uma motivação “secular”; mas a lei precisa respeitar os direitos de todos e não transformar a doutrina de uma fé em obrigação estatal só por ser doutrina dessa fé. A maioria também não pode, por votação, eliminar as liberdades fundamentais de uma minoria.

Então, sim: faz sentido dizer que o Estado laico ajuda a proteger a liberdade religiosa da interferência e do favorecimento estatal. Eu evitaria, porém, resumir isso a “só proíbe uma religião oficial” — a proteção é mais ampla e inclui a liberdade de consciência de quem crê e de quem não crê. E chamar democracia de “ditadura da maioria” pode funcionar como provocação, mas deixa de fora justamente os limites constitucionais que distinguem uma democracia de uma simples decisão da maioria.

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Tenho uma dúvida:
A democracia sempre foi esse circo de populismo e a gente não percebia ou ela está mesmo mais desgastada atualmente?
Acho muito simplista ficar culpando as redes sociais por essa possível deterioração. E o pior é que isso tudo é ponto sem retorno.
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