
Clube Veneno
[galileu] A guerra contra Deus
Agora é oficial: as revistas da Globo compartilham pauta.
Este mês, quem saiu com uma matéria sobre os "novos ateus" foi a Galileu. A matéria "O evangelho dos novos ateus" é mais ou menos a mesma coisa que a Época e a Crescer, falando do Dawkins e do Dennet; mas com a adição do glorioso professor de história da ciência desta colega que vos escreve.
Tem um trechinho da matéria no site.
A sério, meus colegas. Há pouco tempo, abriram um tópico perguntando quais as nossas respostas curtas-e-grossas para as pessoas que nos perguntam o motivo do nosso ateísmo. Esse é um caso especial. Mas creio que a abordagem "novos ateus" da coisa toda é meio pobre e meio boba.
Vocês acham que esse tipo de divulgação ajuda ou atrapalha?
Este mês, quem saiu com uma matéria sobre os "novos ateus" foi a Galileu. A matéria "O evangelho dos novos ateus" é mais ou menos a mesma coisa que a Época e a Crescer, falando do Dawkins e do Dennet; mas com a adição do glorioso professor de história da ciência desta colega que vos escreve.
Tem um trechinho da matéria no site.
A sério, meus colegas. Há pouco tempo, abriram um tópico perguntando quais as nossas respostas curtas-e-grossas para as pessoas que nos perguntam o motivo do nosso ateísmo. Esse é um caso especial. Mas creio que a abordagem "novos ateus" da coisa toda é meio pobre e meio boba.
Vocês acham que esse tipo de divulgação ajuda ou atrapalha?
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Data da postagem: 31/12/2006, 11:43

Só li a reportagem da Época e a considerei muito boa. De certa forma é bom tantas revistas falarem do ateísmo assim, porque antes o ateísmo era uma coisa muito distante das pessoas e associado com todo tipo de corrupção moral, então é importante as revistas mostrarem pessoas comuns ateístas, famílias ateístas, até pessoas famosas ateístas, se possível. É legal eles verem que fulano é ateu e não é ladrão nem come criancinha.
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Data da postagem: 31/12/2006, 12:13

Conhecimento sempre é bom. E o fato de revistas populares trazendo matérias sobre ateísmo só vem a acrescentar.
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Data da postagem: 01/01/2007, 16:29

Também apoio essas tentativas de desmistificar o ceticismo, e se é uma tendência, beleza... 

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Data da postagem: 01/01/2007, 18:24

Nao gostei do papo de fe cega na ciencia. Mas de resto parece decente.
Entao: O QUE INFERNOS ESTA ACONTECENDO COM O MUNDO?!?!?!
Parece que derrepente tudo esta comecando a fazer mais sentido e o ateismo deixar de ser o inimigo de tudo e todos.
Entao: O QUE INFERNOS ESTA ACONTECENDO COM O MUNDO?!?!?!
Parece que derrepente tudo esta comecando a fazer mais sentido e o ateismo deixar de ser o inimigo de tudo e todos.
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Data da postagem: 02/01/2007, 16:37

Nao gostei do papo de fe cega na ciencia. Mas de resto parece decente.
Entao: O QUE INFERNOS ESTA ACONTECENDO COM O MUNDO?!?!?!
Parece que derrepente tudo esta comecando a fazer mais sentido e o ateismo deixar de ser o inimigo de tudo e todos.
Entao: O QUE INFERNOS ESTA ACONTECENDO COM O MUNDO?!?!?!
Parece que derrepente tudo esta comecando a fazer mais sentido e o ateismo deixar de ser o inimigo de tudo e todos.
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Data da postagem: 02/01/2007, 17:14

Fé cega na ciência e seu credo me soa um tanto desconexo. Ciência não é questão de acreditar, é questão de saber... E eles já deveriam saber disto!
Mas vá lá, vale pela mídia hahahahaha
Mas vá lá, vale pela mídia hahahahaha

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Data da postagem: 03/01/2007, 05:22

Da Revista Época não gostei do artigo, mas o da Galileu está muito bom!
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Data da postagem: 06/01/2007, 13:10
Santa ilusão
Ao contrário de 97,3% do mundo --incluindo vários ateus--, achei delicioso o último libelo do biólogo britânico Richard Dawkins contra Deus. Falo do livro "The God Delusion" (a ilusão ou o delírio de Deus; a obra ainda não foi traduzida para o português), que recebeu críticas acerbas mesmo de racionalistas militantes, como Marcelo Gleiser no caderno Mais!.
É fácil entender a revolta principalmente de religiosos com o texto de Dawkins. Os qualificativos que ele encontrou para aplicar a Altíssimo incluem: "misógino", "homófobo", "racista", "infanticida", "genocida", "filicida", "pestilento", "megalomaníaco", "sado-masoquista" e "valentão caprichosamente malévolo". O autor de fato não se vale de meias palavras para defender sua tese de que a religião é um grande engodo, um mal que deveria ser extirpado da face da terra. Só que Dawkins não se limita a afirmar essas coisas. Ele também pretende provar, com argumentos, que Deus é uma hipótese altamente improvável e totalmente desnecessária.
Há momentos em que se sai muito bem, outros, menos. Dawkins é por exemplo magistral ao demolir a tese do "design inteligente" (ID), segundo a qual determinadas características dos seres vivos são complexas demais para ser explicadas "apenas" pela seleção natural, exigindo uma espécie de deus-projetista. Ele demonstra, por A + B, que a teoria darwiniana é plenamente satisfatória e que o ID é muito mais uma combinação de religiosidade com preguiça intelectual do que uma objeção científica séria.
Menos convincentes são suas refutações a argumentos teológicos, como as cinco "provas" de santo Tomás de Aquino e a ontológica, de santo Anselmo. Aqui, o autor ignora séculos e séculos de sutis discussões dos doutores da igreja. Desconfio de que o fez de propósito, muito provavelmente por considerar que tudo não passa de verborragia vazia. Como ateu exemplar, também acho que essas "provas" não vão muito além da retórica, mas sou capaz de apreciar a beleza com que tais jogos de linguagem foram forjados. Não é porque não acredito em Deus que não admiro os oratórios de Händel, os afrescos da Capela Sistina ou a arquitetura da catedral de Notre-Dame.
Outro ponto que parece ter despertado a fúria dos críticos é o fato de Dawkins colocar no mesmo saco sutilezas metafísicas e argumentos divinamente tolos, como: "Ele (Deus) o ama tanto, como você pode rejeitá-Lo?". Entendo, porém, as razões que levaram o autor a proceder desta forma. Ele reuniu sem selecionar muito todos os raciocínios que já ouviu em seus longos anos de militância atéia e procurou rejeitá-los "en bloc". É por isso que se perde nessa e em outras questões bizarras que com alguma filtragem não valeriam a tinta em que são impressas, como tentar determinar se Hitler e Stálin eram de fato ateus e se isso em algum grau contribuiu para seus crimes.
O livro melhora bastante quando Dawkins volta a seu campo de atividade biológico e sugere explicações para a universalidade da religião entre humanos. Sua hipótese é a de que a fé em deuses/Deus é uma espécie de efeito colateral adverso de mecanismos cerebrais adaptativos. Teríamos uma propensão à credulidade cujo valor pode estar em fazer com que crianças obedeçam a seus pais sem levar em conta se o que eles dizem faz ou não sentido. Essa confiança incondicional pouparia os jovens rebentos de atirar-se em rios infestados de crocodilos, caminhar na encosta de precipícios e evitar outras ameaças que poderiam custar-lhes a vida caso insistissem em aprender por conta própria.
Outro ponto alto é quando ele relata experimentos psicológicos, notadamente os de Marc Hauser, que sugerem que o imperativo categórico kantiano está inscrito dentro de nós. Padrões de moralidade semelhantes aos descritos pelo filósofo prussiano --notadamente a idéia de que não devemos usar outros seres humanos apenas como meio para atingir objetivos-- fariam parte de nossa programação cerebral. Se isso é verdade, e tudo indica que é, cai por terra o argumento utilitarista de que a religião é a fonte da moralidade e é importante para manter a paz social. As pessoas não deixam de cometer crimes por temer ir para o inferno, mas porque têm um impulso biológico para acatar normas que julgam justas, em que pese a existência de certos indivíduos que sempre tenderão a burlar as regras.
A mais feroz das críticas a Dawkins, porém, não é de conteúdo ou argumentação. Censuram-lhe o próprio projeto do livro, que é o de convencer o maior número de pessoas a abraçar o ateísmo e os já ateus a "sair do armário". Viram aí uma "intolerância" em tudo igual à das religiões.
Talvez, mas acho que os críticos perdem de vista o profundo senso de humor com que "The God Delusion" foi escrito. O livro todo é uma grande provocação, mas uma provocação "à propos". Por que os textos usados nas escolas dominicais podem ter caráter doutrinário e uma defesa do ateísmo não? Por que, pergunta-se o autor, devemos aceitar a convenção social segundo as quais idéias religiosas devem ser respeitadas? Uma idéia idiota é sempre uma idéia idiota, não importando o campo semântico em que seja proferida. Por que podemos afirmar sem nenhum problema que determinada tese científica, econômica, ou jurídica é imbecil, mas, se ousamos dizer o mesmo em relação a uma "verdade religiosa", somos tachados de intolerantes e quem sabe até processados?
Se alguém nos dissesse acreditar que brotou de uma árvore e que sempre que segura sua caneta ela se transforma num coelho voador, teríamos boas razões para duvidar da sanidade desta pessoa. Por que então não tratamos como louco o católico que afirma que Jesus nasceu sem pai biológico, de uma mãe virgem e que, toda vez que se celebra uma missa, o vinho se torna sangue e um tipo esquisito de biscoito se converte no corpo do homem?
Para colocar questões mais republicanas, por que um ministro religioso, apenas por ser religioso, fica livre do serviço militar, enquanto pessoas que apenas deplorem a violência correm o risco de ter de servir ao Exército? Por que igrejas não pagam impostos e eu, que também tenho um sistema de crenças e uma ética (na minha opinião muito melhores), não faço jus à mesma regalia?
O fato de eu compreender os propósitos políticos de Dawkins não significa que eu concorde inteiramente com eles. Acho que seu projeto é inexeqüível por razões que ele próprio aponta: a religião é um universal humano. Talvez em fins do século 19, para um observador incorrigivelmente otimista, tenha sido possível acreditar que a ciência sepultaria as crendices. Os mais de cem anos que se seguiram, entretanto, indicam o contrário. As religiões seguem firmes, fortes, separando as pessoas e provocando incompreensões e guerras. Oferecem, também, é preciso dizê-lo, conforto psicológico aos que nelas acreditam. Por índole e seguindo minha programação kantiana, acho que devemos deixar a cada um o direito de escolher o que deseja ser. Podemos e devemos mostrar nossos argumentos contrários a um Deus sobrenatural, mas sem jamais transpor a linha que separa a exposição da imposição. Não creio, entretanto, que Dawkins a tenha atravessado. Ao contrário de igrejas, ele jamais ameaçou mandar os crentes para a fogueira ou explodi-los.
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Hélio Schwartsman, 41, é editorialista da Folha. Bacharel em filosofia, publicou "Aquilae Titicans - O Segredo de Avicena - Uma Aventura no Afeganistão" em 2001. Escreve para a Folha Online às quintas.
E-mail: helio@folhasp.com.br
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Data da postagem: 22/01/2007, 09:48

Às vezes eu acho que essa militância feroz do Dawkins mais atrapalha do que ajuda na aceitação dos ateus pela sociedade.
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Data da postagem: 22/01/2007, 20:47

Eu gostei bastante, ate acho que talvez ele pegue pesado às vezes, mas ele não diz nenhuma mentira. E se teistas lutam com tanta forca pelos seus princípios acho que ateístas também devem lutar.
Citar
deus é exatamente isso mesmo, e o pior é que crentes dizem que não, ou eles são muito burros ou não sabem ler, pois esta tudo escrito nos seus "livros sagrados".
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Os qualificativos que ele encontrou para aplicar a Altíssimo incluem: "misógino", "homófobo", "racista", "infanticida", "genocida", "filicida", "pestilento", "megalomaníaco", "sado-masoquista" e "valentão caprichosamente malévolo".
deus é exatamente isso mesmo, e o pior é que crentes dizem que não, ou eles são muito burros ou não sabem ler, pois esta tudo escrito nos seus "livros sagrados".
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Data da postagem: 22/01/2007, 20:53