Clube Veneno
EQM
Autor: Alexandre | Categoria: Ceticismo | Exibições: 8580 Comentários: 46
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Este artigo abaixo é bem interessante, e ajuda a compreender um pouco o "fenômeno" das EQMs:

"Eu me vi lá de cima

Os filmes já mostraram a cena várias vezes: enquanto a equipe da emergência lança mão dos últimos recursos de ressuscitação, o paciente, cujo coração já parou de bater, vê um túnel de luz, avista seu corpo lá de cima e é acolhido serenamente por um parente querido. Assim seria a passagem para o lado de lá da vida -- exceto nos casos em que, por desígnio divino, insistência dos médicos ou pura sorte mesmo, a pessoa volta para contar a estória.

Uma mulher na Suíça, no entanto, acaba de ter uma experiência parecida -- sem correr o menor risco de vida. A paciente, que há 11 anos sofria de epilepsia, estava sendo avaliada para uma cirurgia de remoção do foco epiléptico. Como nenhuma lesão era visível no exame por ressonância magnética, a equipe do Dr. Olaf Blanke, do Hospital Universitário de Genebra, usou eletrodos posicionados sobre o cérebro da paciente para localizar precisamente a região do cérebro a ser removida.

Como a atividade elétrica do cérebro é anormal sobre o foco epiléptico, o simples registro pelos eletrodos é suficiente para indicar sua posição. No entanto, um procedimento adicional é de praxe: usar os eletrodos também para estimular regiões precisas do cérebro e, desse modo, identificar zonas 'vitais', saudáveis, que não devem ser removidas.

A estimulação é feita com o paciente acordado e consciente, para que ele possa relatar as sensações provocadas. Estimular o cérebro com pequenas correntes elétricas não dói: embora receba sinais dos nervos do corpo todo, o cérebro não tem nervos que enviem sinais dele mesmo. Tudo corria como de costume com essa paciente de 43 anos: a estimulação de zonas auditivas, somatossensoriais ou motoras no cérebro provocava sensações auditivas, corporais ou movimentos do corpo.

Até que a estimulação em dois dos 64 pontos testados do lado direito do cérebro provocou uma sensação inusitada de deslocamento -- ilusório, claro -- do corpo inteiro: ao receber uma pequena corrente elétrica sobre o giro angular, a paciente sentia-se 'afundando na cama', ou 'caindo no vazio'. A equipe, claro, não parou aí. Testaram uma corrente elétrica um pouco mais forte sobre os mesmos pontos e, como num filme sobrenatural, a sensação transformou-se em uma verdadeira experiência extra-corporal: de olhos abertos, a paciente dizia ver lá de cima, como se levitasse próxima ao teto, seu corpo deitado na cama.

Experiências extra-corporais 'naturais' costumam ser transitórias e geralmente desaparecem quando se tenta inspecionar diretamente as partes do corpo envolvidas. Com a experiência extra-corporal provocada pela estimulação elétrica -- e relatada pela equipe de Blanke na revista Nature em 19 de setembro -- não foi diferente: quando a paciente fechava os olhos durante a estimulação ou olhava diretamente para seus braços e pernas, eles apenas pareciam se mover em direção ao corpo, ou encolher.

A posição do giro angular é privilegiada para integrar informações relativas à posição e a sensações complexas do corpo: ele fica na borda do lobo parietal, que já havia sido implicado anteriormente na percepção do espaço corporal, ou seja, na localização de objetos em relação ao corpo. De quebra, outro vizinho próximo é o córtex vestibular, que processa informações relativas à orientação da cabeça em relação à gravidade, inclusive sensações de peso ou leveza. Com vizinhos desse calibre, o giro angular talvez seja o lugar do cérebro onde nossa 'visão' interna do corpo é criada.

Se for assim, a dissociação do corpo que caracteriza a experiência extra-corporal poderia ter uma explicação simples: uma falha na integração sensorial e vestibular que o giro angular normalmente desempenharia, causada, por exemplo, pela estimulação elétrica. Ou, na experiência de quase-morte, pela falência metabólica do cérebro.

Esta, de fato, é a explicação alternativa para quem quase foi, voltou e ficou tentado a acreditar que esteve do lado de lá mesmo. De acordo com a 'hipótese do cérebro morrendo', defendida pela psicóloga Susan Blackmore e pelo neurocientista Michael Persinger, as experiências de quase-morte refletem o funcionamento residual em um cérebro que já não recebe o suprimento habitual de oxigênio e glicose.

O giro angular, cuja estimulação elétrica é capaz de gerar a percepção de desligamento do corpo, vem agora integrar o rol das regiões do cérebro normalmente responsáveis pelas sensações vividas durante a experiência de quase-morte. Talvez não por coincidência, todas essas regiões -- inclusive o giro angular -- têm algo em comum: elas dividem o suprimento de sangue fornecido pelas artérias cerebrais posteriores, que irrigam a parte de trás do cérebro. Quando o corpo começa a se desligar, talvez um dos resultados seja uma 'ativação de despedida' dessas zonas do cérebro -- e, com ela, as experiências que quem volta pode contar.

De qualquer forma, o fato de a percepção extra-corporal ser um fenômeno do cérebro, e não o desligamento da alma, não diminuiria a experiência na hora da quase-morte. E se isso de fato acontecer rotineiramente na hora da morte? Quer maneira mais bonita de se ir embora do que se despedir serenamente do corpo para ser acolhido por parentes queridos e saudosos? O cérebro, que nos permite uma vida prazerosa, pelo jeito até nos últimos momentos garante um final tranqüilo e digno a toda sua existência."

Bem, acho que acabou o mistério. Pelo menos para mim.
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Apenas sensação... Não é possivel por exemplo ao "deslocar-se" pra uma sala ao lado, ser capaz de descrever qualquer coisa que haja naquela outra sala...
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Tem mais de uma substância que tem o poder de te "tirar do corpo"…
Esse negócio de que "eu me vi la de cima" é puro misticísmo e um tanto de prepotência também, afinal, porque raios essa pessoa teve esse privilégio e eu não ?

Quando alguem começa com esse discurso eu sou o primeiro a começar a contradizer.
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A maioria das pessoas que experimentam uma EQM, costuma citar a passagem por um túnel de luz (um clichê bem ao estilo Hollywoodiano), e um rápido encontro com parentes ou conhecidos mortos, como se estivessem á sua espera.
Notaram algo estranho? E eu não estou me referindo ao absurdo que é possibilidade de uma vida após a morte. É que essa é uma crença típica dos cristãos; a passagem para o mundo espiritual, o encontro com o divino, etc. As pessoas vêem exatamente o que querem ver. Como seria, afinal, uma EQM vislumbrada por um muçulmano? Ele acordaria em uma ilha e encontraria 72 virgens á sua espera? E quanto ao budista, ele alcançaria o nirvana? E como seria a EQM de um xintoísta? Taoísta? Judeu? Hinduísta?

Com tantas crenças tão divergentes entre sí, por quê só os cristãos é que estariam certos? Talvez a EQM seja mesmo uma válvula de escape do cérebro para lidar com um momento tão duro como o fim da existência. A passagem pelo túnel escuro, por exemplo, deve ser uma idéia que guardamos no subconsciente desde a infância, talvez; esperando o momento certo para trazer as lembranças á tona (muitos que passaram por uma EQM relatam terem visto toda a sua vida passar diante dos olhos, o que não deixa de ser outro clichê), como se fosse a última chance de rever tudo o que aconteceu, um último "backup antes de desligar o computador da tomada".

Talvez nós não precisemos de deus ou de deuses, afinal. Mas sem dúvida a maioria de nós precisa de uma crença em algo maior, mesmo que não exista. É compreensível...
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Citação de: Mauricio Rubio em 01 de Fevereiro de 2007, 21:30:14

É lógico que é real, o que se passa na nossa consciência, mesmo que seja subjetivo e que seja experimentado unicamente pela pessoa que passou por isso é REAL


Maurício, em que você se baseia para ser tão conclusivo assim ?
Quer dizer que se eu fechar os olhos e sonhar que não existem mais guerras no mundo...isto é real ?
Como você definiria a palavra "realidade" ?

Citação de: Mauricio Rubio em 01 de Fevereiro de 2007, 21:30:14

...porque na minha opnião, o cerebro humano limita a natureza


Como ocorreria este processo ? Não consigo visualizar uma relação causal entre o mundo como ele é e a nossa percepção dele...

Citação de: Mauricio Rubio em 02 de Fevereiro de 2007, 07:38:15

...eu só acho que o universo e a nossa percepção em si SÃO subjetivos e nós não podemos simplismente jogar toda a subjetividade no lixo ao dizer que o universo é só objetivo e racional.


Maurício, a nossa percepção subjetiva das coisas não contamina o Universo. Ele apenas é. Não vai se tornar o que nossa imaginação achar mais agradável que ele seja. Deixemos a subjetividade para o campo estético, para as artes, a filosofia, etc...
O Universo não está preocupado com o que achamos dele.

Citação de: Mauricio Rubio em 02 de Fevereiro de 2007, 07:38:15

Eu acho que a ciência é um dos caminhos corretos para conseguirmos entender a realidade, mas a ciência ainda está na sua infância, ainda é muitooooooooooooo limitada. Então eu acho que não deveriamos negar completamente nenhuma possibilidade, simplismente devemos permanecer céticos e duvidar enquanto nada é definitivo.


Eu diria que a Ciência ( se Deus é com maiúscula, a Ciência merece mais ainda ) não é "um dos"...é o único caminho para entender a realidade.
E não acho que a Ciência seja tãooooooooo limitada assim a ponto de que não possamos negar completamente alguns conceitos.
Caso contrário, é possível que a gravidade não exista, que um quadrado não tenha quatro lados, que a Terra não gire em torno do Sol, que tenhamos sido criados do barro, que exista um dragão na garagem do Fox, etc...
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A maioria das pessoas que experimentam uma EQM, costuma citar a passagem por um túnel de luz (um clichê bem ao estilo Hollywoodiano), e um rápido encontro com parentes ou conhecidos mortos, como se estivessem á sua espera.
Notaram algo estranho? E eu não estou me referindo ao absurdo que é possibilidade de uma vida após a morte. É que essa é uma crença típica dos cristãos; a passagem para o mundo espiritual, o encontro com o divino, etc. As pessoas vêem exatamente o que querem ver. Como seria, afinal, uma EQM vislumbrada por um muçulmano? Ele acordaria em uma ilha e encontraria 72 virgens á sua espera? E quanto ao budista, ele alcançaria o nirvana? E como seria a EQM de um xintoísta? Taoísta? Judeu? Hinduísta?

Com tantas crenças tão divergentes entre sí, por quê só os cristãos é que estariam certos? Talvez a EQM seja mesmo uma válvula de escape do cérebro para lidar com um momento tão duro como o fim da existência. A passagem pelo túnel escuro, por exemplo, deve ser uma idéia que guardamos no subconsciente desde a infância, talvez; esperando o momento certo para trazer as lembranças á tona (muitos que passaram por uma EQM relatam terem visto toda a sua vida passar diante dos olhos, o que não deixa de ser outro clichê), como se fosse a última chance de rever tudo o que aconteceu, um último "backup antes de desligar o computador da tomada".

Talvez nós não precisemos de deus ou de deuses, afinal. Mas sem dúvida a maioria de nós precisa de uma crença em algo maior, mesmo que não exista. É compreensível…


Já ouvi que o túnel é a reabertura (ou sei lá qual o termo correto) do globo ocular com sensibilidade a luz.
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Citação de: Fred em 04 de Fevereiro de 2007, 11:00:24

Maurício, em que você se baseia para ser tão conclusivo assim ?
Quer dizer que se eu fechar os olhos e sonhar que não existem mais guerras no mundo…isto é real ?
Como você definiria a palavra "realidade" ?


Não foi isso que eu quis dizer, a realidade vai muito alem do que nós podemos perceber, e só porque não percebemos algumas coisas elas não deixam de existir. No exemplo que vc citou, sim, sonhar é real pra quem sonha, é uma realidade subjetiva mas nem por isso deixa de ser real.

Essa parada de definir realidade é muito complicada, você sabe que isso é uma questão filosofica que sempre existiu e provavelmente vai continuar sendo questionada por muito tempo, senão para sempre. A realidade humana NÃO é a realidade absoluta, nós não percebemos a realidade como ela é, e sim como nossos sentidos a captam e como nosso cerebro processa as informações exteriores.

Citação de: Fred em 04 de Fevereiro de 2007, 11:00:24

Como ocorreria este processo ? Não consigo visualizar uma relação causal entre o mundo como ele é e a nossa percepção dele…


A humanidade se destaca dos outros animais porque é capaz de inventar, imaginar, crer, usar linguagem e muitas outras coisas que são subjetivas e não necessariamente "existem", mas foram criadas pelas nossas mentes. Mas isso não quer dizer que essas coisas sejam irreais. Tudo que existe é real. O Universo tem a capacidade de ser transformado pela imaginação.

Citação de: Fred em 04 de Fevereiro de 2007, 11:00:24

Maurício, a nossa percepção subjetiva das coisas não contamina o Universo. Ele apenas é. Não vai se tornar o que nossa imaginação achar mais agradável que ele seja. Deixemos a subjetividade para o campo estético, para as artes, a filosofia, etc…
O Universo não está preocupado com o que achamos dele.


O Universo vai muitooooooooooooooooooooooooooooooooooo além do que nossos meros sentidos possam captar, eu não acho que a realidade humana chegue nem perto de captar tudo que existe, como eu falei acima, nós somos limitados pelos nossos sentidos e como interpretamos as informações exteriores. Nós ainda estamos muito longe de conhecer a realidade absoluta, se é q isso é possivel, e a mecanica quantica por exemplo é uma prova de que o universo é muito mais complexo do que nós jamais pudemos imaginar.

Citação de: Fred em 04 de Fevereiro de 2007, 11:00:24

Eu diria que a Ciência ( se Deus é com maiúscula, a Ciência merece mais ainda ) não é "um dos"…é o único caminho para entender a realidade.
E não acho que a Ciência seja tãooooooooo limitada assim a ponto de que não possamos negar completamente alguns conceitos.
Caso contrário, é possível que a gravidade não exista, que um quadrado não tenha quatro lados, que a Terra não gire em torno do Sol, que tenhamos sido criados do barro, que exista um dragão na garagem do Fox, etc…




Eu não escrevo deus com letra maiuscula, logo muito menos a ciência, visto que pelo menos o conceito de deus vai muito alem dos nossos métodos ciêntificos. Eu não acho que a ciência seja o unico meio de entender a realidade, e sim um dos, eu não estou citando religiões dogmáticas aqui, mas eu só quero te lembrar, que sempre na história da humanidade, numa certa época as pessoas tinham certezas sobre algumas coisas e mais tarde foi descoberto que a certeza era equivocada, nós temos que continuar pesquisando, testando, imaginando, refletindo, observando, e fazendo tudo o que somos capazes de fazer sem nunca ter certezas absolutas, porque de uma hora pra outra tudo pode mudar.

Ps: Só quero lembrar que eu não estou dizendo que a EQM é algo sobrenatural, nem que exista vida após a morte, nem nada disso, eu só estou dizendo que em geral, nós não podemos simplismente descartar possibilidades por puro preconceito.
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O Mito da Caverna
Platão

Imaginemos uma caverna subterrânea onde, desde a infância, geração após geração, seres humanos estão aprisionados. Suas pernas e seus pescoços estão algemados de tal modo que são forçados a permanecer sempre no mesmo lugar e a olhar apenas para a frente, não podendo girar a cabeça nem para trás nem para os lados. A entrada da caverna permite que alguma luz exterior ali penetre, de modo que se possa, na semi-obscuridade, enxergar o que se passa no interior.
A luz que ali entra provém de uma imensa e alta fogueira externa. Entre ela e os prisioneiros - no exterior, portanto - há um caminho ascendente ao longo do qual foi erguida uma mureta, como se fosse a parte fronteira de um palco de marionetes. Ao longo dessa mureta-palco, homens transportam estatuetas de todo tipo, com figuras de seres humanos, animais e todas as coisas.

Por causa da luz da fogueira e da posição ocupada por ela, os prisioneiros enxergam na parede do fundo da caverna as sombras das estatuetas transportadas, mas sem poderem ver as próprias estatuetas, nem os homens que as transportam.

Como jamais viram outra coisa, os prisioneiros imaginam que as sombras vistas são as próprias coisas. Ou seja, não podem saber que são sombras, nem podem saber que são imagens (estatuetas de coisas), nem que há outros seres humanos reais fora da caverna. Também não podem saber que enxergam porque há a fogueira e a luz no exterior e imaginam que toda a luminosidade possível é a que reina na caverna.

Que aconteceria, indaga Platão, se alguém libertasse os prisioneiros? Que faria um prisioneiro libertado? Em primeiro lugar, olharia toda a caverna, veria os outros seres humanos, a mureta, as estatuetas e a fogueira. Embora dolorido pelos anos de imobilidade, começaria a caminhar, dirigindo-se à entrada da caverna e, deparando com o caminho ascendente, nele adentraria.

Num primeiro momento, ficaria completamente cego, pois a fogueira na verdade é a luz do sol, e ele ficaria inteiramente ofuscado por ela. Depois, acostumando-se com a claridade, veria os homens que transportam as estatuetas e, prosseguindo no caminho, enxergaria as próprias coisas, descobrindo que, durante toda sua vida, não vira senão sombras de imagens (as sombras das estatuetas projetadas no fundo da caverna) e que somente agora está contemplando a própria realidade.
Libertado e conhecedor do mundo, o priosioneiro regressaria à caverna, ficaria desnorteado pela escuridão, contaria aos outros o que viu e tentaria libertá-los.

Que lhe aconteceria nesse retorno? Os demais prisioneiros zombariam dele, não acreditariam em suas palavras e, se não conseguissem silenciá-lo com suas caçoadas, tentariam fazê-lo espancando-o e, se mesmo assim, ele teimasse em afirmar o que viu e os convidasse a sair da caverna, certamente acabariam por matá-lo.
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Citação de: Mauricio Rubio em 04 de Fevereiro de 2007, 11:45:49

...a realidade vai muito alem do que nós podemos perceber, e só porque não percebemos algumas coisas elas não deixam de existir.


Concordo. Só que é preciso ter discernimento para separar a realidade da fantasia, caso contrário toda nossa vida se torna um conto de fadas...

Citação de: Mauricio Rubio em 04 de Fevereiro de 2007, 11:45:49

O Universo tem a capacidade de ser transformado pela imaginação.


Discordo. O Universo é regido pelas Leis da Física. Se admitirmos o que você disse, estaríamos aceitando a existência de Deus.
O Homem, com a sua imaginação e criatividade, apenas consegue alterar as suas próprias condições de vida ( o "universo que o cerca" é apenas um força de expressão, apenas semântica ). Ele pode construir um avião, mas não alterar as lei gravidade e da dinâmica

Citação de: Mauricio Rubio em 04 de Fevereiro de 2007, 11:45:49

Ps: Só quero lembrar que eu não estou dizendo que a EQM é algo sobrenatural, nem que exista vida após a morte, nem nada disso, eu só estou dizendo que em geral, nós não podemos simplismente descartar possibilidades por puro preconceito.


Não descarto a EQM por preconceito, mas sim por pura observação científica.
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Eu peguei um exemplar da Veja desta semana cujo título de capa era: "A Força da Fé - A ciência explica como o cérebro produz o pensamento mágico."

A matéria, na verdade, era pequena, mas coincidentemente havia um texto sobre a EQM, que eu vou repassar na íntegra:

Mitos do além, Explicados pela Ciência

Um tipo de experiência alimenta, em especial, mitos e interpretações místicas
em todas as culturas - o da quase-morte. São relatos feitos por pessoas dadas
como mortas mas que, de modo espontâneo ou com ajuda da medicina, voltaram á vida.
Muitas se referem a túneis de luz ou á sensação de flutuar no ar, de modo a ver o
do alto o próprio corpo. os últimos anos, pesquisas médicas, principalmente as realizadas
com tecnologia de imagem da atividade cerebral e eletroencefalogramas, puderam
explicar de forma científica boa parte desses fenômenos.

Flutuar fora do corpo (Eu postei um artigo sobre esse caso nesse mesmo tópico)

Enquanto fazia exames numa paciente epilética, o neurologista suíço Olaf Blanke, do Hospital Universitário de Genebra, descobriu que a estimulação de determinada área do cérebro provocava na paciente a sensação de abandonar o próprio corpo e flutuar pela sala. O ponto em questão é o giro angular direito, parte do cérebro localizada no lobo parietal. Essa região é responsável pela percepção espacial que se tem do próprio corpo e do ambiente em torno. Ao estimular o giro angular com pequenas descargas elétricas, Blanke afetou a forma como o cérebro da paciente decodificava a percepção do espaço e dela própria, quebrando a unidade que existe entre o eu e o corpo. Dessa maneira, a paciente se sentia como se estivesse a flutuar no teto, enquanto seu corpo permanecia na cama.

Sentir a presença de espíritos

Os médicos já sabem que isso é causado pela falta de oxigenação do cérebro. Ao estimular com eletrodos o giro angular esquerdo de uma paciente, o médico Olaf Blanke percebeu que ela virava a cabeça como se procurasse alguém dentro da sala. "Quando se desligava a corrente elétrica, a presença estranha sumia", disse Blanke a Veja. Para o neurologista, o estímulo no giro angular esquerdo criou uma disfunçaõ no circuito neural que levou a paciente á ilusão de uma projeção "torta" do próprio corpo, que ela interpretou como um fantasma.

Uma luz no fim do tunel

Depois de ser ressucitado, o doente conta ter visto um túnel com uma intensa luz na outra ponta. A neurocientista Susan Blackmore, da Universidade do Oeste da Inglaterra, em Bristol, atribui o relato á ilusão provocada pela falta de oxigênio no cérebro, típica de uma parada cardíaca. As células do córtex visual responsáveis pela visão central são mais numerosas que as da visão periférica e, por isso, vêem a imagem com maior brilho. Para a cientista, essa diferença de luminosidade causa a impressão de existir um túnel com luz intensa no seu final. "É algo puramente biológico que as pessoas tendem a ver como místico", disse Susan a Veja. "Drogas como LSD, quetamina e mescalina podem produzir o mesmo efeito em algumas pesssoas."

Corpo paralisado ao despertar

Quando o corpo atinge um estado de sono profundo, ocorre uma mudança química nas regiões do cérebro responsáveis pela atividade muscular. O objetivo é paralisar os músculos para evitar que os movimentos dos sonhos sejam reproduzidos. Algumas pessoas acabam despertando durante esse período, com os m´suculos ainda paralisdos. "A sensação é desesperadora e a pessoa sente dificultade para respirar. Não é incomum ela associar esse evento a experiências espirituais, místicas, demoníacas e até mesmo a encontro com aliens", explica a neurocientista Susan Blackmore.

Toda a sua vida passou diante dos olhos

Muita gente acredita que no momento da morte se vê uma espécie de retrospectiva da própria vida. Para os cientistas, essa retrospectiva é uma alucinação causada pelo cérebro, assim como o encontro com entes queridos já falecidos ou figuras religiosas. Ocorre que, nos momentos finais, regiões do cérebro se tornam hiperativas numa última tentativa de compensar a falta de oxigênio, cujo abastecimento diminui à medida que as batidas do coração se tornam irregulares. "O cérebro então libera substâncias para proteger os neurônios, desligando-os", diz Renato Sabbatini, professor da Universidade Estadual de Campinas. Algumas dessas substâncias agem diretamente nos receptores dos neurônios, causando o que os médicos chamam de dissociação neural. "É isso que provoca alucinações", diz Sabbatini.

Bem, é isso... Por um breve momento eu quase cogitei a possibilidade de haver um deus olhando por nós, zelando pela nossa insignificância e mediocridade terrenas. É uma sensação confortável, e, em horas assim eu invejo os teístas. Como diz o ditado: "A ignorância é uma benção." Mas a verdade é nua, crua e escandalosa: As EQMs são um fenômeno real, mas não sobrenatural. Como sempre, nós humanos nos resumimos a impulsos e reações químicas. Isso não muda, no entanto, o fato de que é uma experiência fantástica, mesmo que seja somente o nosso cérebro nos pregando uma peça.
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